sábado, 13 de julho de 2013

Contos, Novelas e Romances


OBJETIVO

1..Possibilitar, pela leitura do conto “ Para Que Ninguém a Quisesse”, de Marina Colasanti, o alargamento da vivência  do aluno, habilitando-o a identificar, no ciúme,  sinais de mente possessiva, manipuladora  e insensível que age  desconsiderando a personalidade  do outro  como  ser humano.

2. Levar o aluno a se tornar mais atento, mais crítico em relação ao que passa a sua volta.

3.Levar o aluno a familiarizar-se com o gênero narrativo  conto

4. Incentivar  a expressão oral e escrita






1.º   INTRODUÇÃO TEÓRICA.GÊNERO NARRATIVO: Conto, Novela, Romance


A)CONTO
O Conto, a novela e o  romance têm semelhanças.

O conto é um drama  que ocorre com o personagem individualmente  ou com outrem , que se instaura  por meio de uma ação ou único conflito  face a uma  característica psicológica, ambição e  desejos suscintamente descritos..

Melhor dizendo: é  uma unidade dramática, ou seja tudo na narrativa: tempo, espaço, estão concentrados num único episódio, num mínimo de  personagens, naquele único conflito; o que está em volta é irrelevante.

Em razão da  síntese dramática,  o que houve antes(passado) só será mencionado , se  for a causa direta e essencial  do que está sendo contado;   o que vai acontecer no futuro da narrativa já fica subtendido, sem ser mencionado.

 Ao mesmo tempo, esta síntese  manifesta-se na linguagem que  deve ser objetiva. Caso utilize  metáfora, esta será  de imediata compreensão.

Em suma, esta síntese obriga o escritor a condensar e evitar   pormenores quanto à divagações psicológicas, quanto à marcação do tempo, quanto à descrição do espaço.

O conto, pois,   já  se apresenta com  começo, meio e fim em si  próprio.

O maior cuidado do contista deve ser em como iniciar a narrativa. Se no romance o autor pode criar  o personagem desde o seu nascimento, no conto a narrativa deve começar pelo “ in media res”, no meio do fato, já bem próximo do final.

O que for  mencionar de antes, só se for através de “fiapos” que sejam relevantes à tensão dramática..

O desfecho  do conto deve ser imprevisível, surpreender o leitor. O bom final deixa  leitor  perplexo , pois é pego de surpresa. 



B)A NOVELA


 -   identifica-se com as manifestações populares de cultura . Em língua portuguesa temos sua origem  nas  canções de gesta,  novelas de cavalaria.

Em linhas gerais, a Novela parte de uma ideia básica (c. p. ex. contar o drama de uma moça que, ao dar a luz, teve sua filha roubada) , cuja ação que será conduzida por  vários núcleos de personagens. Quem vai sofrer diretamente o drama?  Quem vai ser o causador do drama? A partir daí organizam-se os personagens em locais, em classes sociais, em grupos diferentes ( p. ex.  os que vivem no local onde a filha está agora; os que vivem no local onde a mãe trabalha)

Estabelece-se  a motivação de agir, a justificação interior em relação ao “roubo”  de personagem por personagem e a influência que ele provocará em quem for ser o  receptor do texto (identificação, catarse, alegria, dor, tristeza, ódio?).

Face ao fato de os receptores serem pessoas de cultura,  grupos etários , classes sociais diferentes, esta influência , esta identificação deve ser por osmose, pelo emocional. Para tanto,  os personagens da trama, devem retratar  a vida  segundo o etos  de cada grupo(na fala, no andar, na ética, na moral, sua vivência social inerente , seu âmbito  profissional, a motivação de seus relacionamentos, etc.).

A partir daí , a gosto do autor, pois na novela não há limite,   os personagens. Podem ser subdivididos, ainda,   em vários outros subgrupos, cada um com o seu drama, desde que, em algum momento haja alguma vinculação. Por isso há  personagens  só para compor o ambiente; personagens  só para ser o  confidente  e, assim, poder mostrar o íntimo do outro, etc.   

Cabe ao escritor da novela multiplicar seguidas situações e  as ações que vão montando a “história” num  desenrolar sucessivo, segundo o caráter de cada personagem, que  pode permanecer  uniforme(personagens planas) ou ir se modificando no transcorrer do caminho.

 Em decorrência da multiplicidade de situações dramáticas, a “população” da novela pode permanecer ou desaparecer, desde  que de alguma forma  permaneçam os personagens centrais, que são os que  estabelecem a interligação entre as várias situações, as várias  células dramáticas.

  Na novela não há unidade espacial, porque o mesmo espaço, entendia,  aborrece o receptor da mesma.

 O novelista  focaliza  os espaços de forma acelerada e variada : o perto, o longe; o real, o  fantasioso (há , também, os  lugares referidos , mas não vividos; são os intuídos).

Em regra, o espaço aparece e se entrelaça conforme o deslocamento físico do personagem.

O começo da novela  é “ in media res”,já  apresentando o núcleo dramático ( o “roubo” da criança) mas admite a recordação ( flash Black), sendo que cada grupo viverá uma faceta deste episódio.

E num desenrolar temporal  sequencial  e entrelaçado  vão caminhaaaaaaando para a resolução , que convencionou como final, porque ainda poderia continuaaaaaaar....... Ou seja, a quantidade de situações dramáticas criadas pelo autor  poderiam dar lugar à continuidade. Por isso se diz que o final da novela é arbitrário, é em aberto.



C) ROMANCE.



O romance na acepção de hoje, como  narrativa em prosa , surge vinculado ao Romantismo, por volta do século XVIII.

 Aqui, sem pretender estabelecer os traços característicos de sua evolução e inúmeras classificações( p. ex.Wolfgang Kayser: romance de ação e acontecimento; romance de personagem; romance de espaço) , passa-se, já sabendo ser uma abordagem precária, a mencionar alguns traços gerais constitutivos do romance.

Como primeiro traço, pode-se dizer que no romance a  narrativa é  globalizante; o enredo se interliga , detendo-se no acontecimento, espaço, personagem que representam a essência ( o “logos”, o “pathos”, o “ethos”) vivenciados na  ação dramática  que predomina sobre os demais acontecimentos, espaços e  personagens.

[Em tempo:”Logos” vem a ser o discurso, a organização verbal do texto, a estrutura geral.; “Pathos” é o drama, a paixão que afeta e arrasta as pessoas; é o passional;“Ethos” é a ética, a moral , o conjunto de idéias e valores que impregnam o interior da história.]

  No romance reconstrói-se “ uma realidade viva”, ou seja,  um viver numa história      que  flui  parecendo com o mundo real, imitando a vida real (mimese); parecido  com  as pessoas reais, revelando  uma problemática parecida ( verossimilhança) com a  vida real,  cotidiana ( mas não é) ; e que provoca no leitor a aceitação ( empatia) ou rejeição ( entropia). O romance  vem configurando em um  texto,  no caso, por meio da  palavra, estruturada num discurso condizente  com a circunstância de cada realidade, de cada personagem.

Cada viés da  história ( como foi criado o  espaço, o tempo, o drama, a caracterização dos personagens) deve guardar uma coerência  estrutural interna.

Ou seja,o autor é livre para criar o personagem, mas, a partir daí, no transcorrer da história,  o personagem deverá caminhar  com coerência. Sua conduta deve ser coerente com a sua cultura, condição social,  característica psicológica  e com a situação que está vivendo; assim, o personagem não pode apresentar um comportamento sem causa , salvo se houver algum acontecimento  que venha a justificar a mudança abrupta do personagem.

O  personagem não pode, sem causa motivadora ,ser  incoerente, inverossímil contraditório( p.ex.se é bom, não pode sem motivo nenhum ir matando as criancinhas;  se é retratado com ser humano, não pode, do nada, sair  voando).

No romance , o andamento narrativo caminha numa única direção que é o epílogo( embora admita o labirinto, a digressão, a rememoração), sem perder de vista a relação de causa e efeito com o final, sem perder de vista a dimensão de profundidade ,pois se busca captar a essência do ser humano, do mundo (cosmovisão).

  Enfim, numa adaptação incipiente de MOISÉS, Massaud. A Criação Literária. 8.ª ed. s. d.  Melhoramentos.  p. 196 ,  pode-se dizer que  um romance apresenta como aspectos fundamentais:

 1. Um enredo suficientemente rico , forte e convincente para manter o leitor sempre na mesma pergunta aflita: e agora?, o que vai acontecer? , e  depois?

2. Que o autor tenha um ponto de vista( limitado a um personagem ou onisciente), mas que, em qualquer deles seja um demiurgo( deus/ sábio), que construa um simulacro de vida que leve a “ cair minha ficha” que seja um dado imediato de consciência, que  me leve à auto-consciência; que  me leve a  especular,c. p. ex.  sobre o passado da humanidade, sobre o mundo atual, sobre o mundo ao meu redor.

 3. Que tenha personagens tão “vivas” quanto os seres vivos; que sejam gente semelhantes a nós; que sejam verossímeis , mas não cópia.

 Parecem com alguém, mas não são  o retrato fiel do alguém, porque , se assim o fosse,  teria havido uma  cópia e não uma criação por parte do autor”




 
2.MOMENTO  DA LEITURA DO TEXTO.:



 PARA QUE NINGUÉM A QUISESSE

 Marina Colassanti(1937-  )

        Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes , jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as jóias. E vendo que, ainda  assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe  os longos cabelos.

                             Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava  por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. Evitava sair.

                             Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêsse em silse fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluha dos vestidos e parasse de se pintar. ncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.

                             Uma fina saudade, porém, começou  a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas o desejo inflamado que tivera por ela.

                               Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.

                                Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido na gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

   

                                            Colassanti, Marina. Contos de Amor Rasgados. Rio de Janeiro:                                                                          Rocco, 1986.p.101-102.

2.2. Biografia da Autora.

                   Marina Colassanti, nasceu em Asmara, Etiópia. Morou na África e na Itália. Chegou ao Brasil aos 11 anos. Sua carreira literária inicia em 1968 com o livro : “Eu Sozinha”. A partir de então, lançou mais de 30 obras entre literatura infantil e adulta.

                     Em seus livros, principalmente suas crônicas, a autora  retrata , a partir de fatos cotidianos, a situação feminina. É casada com o intelectual e escritor Afonso Romano de Sant’Ana com teve duas filhas. Recebeu vários prêmios por sua obra.

                     Atualmente escreve artigos para periódicos; é convidada para ministrar cursos em Universidades ; é convidada para proferir palestras em encontros culturais e literários , quer no Brasil e no exterior.





3.. MOMENTO DE ENTENDIMENTO DO TEXTO

3.1. O texto é um conto

(  )  em que predomina o conteúdo psicológico

(  ) em que se predomina o conteúdo fantástico

(  ) em que predomina o mistério



3.2.Numere estabelecendo a seqüência em que aparece no conto:

 (  ) “Dos armários  tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as jóias”.

 (  ) “...foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes e jogasse fora os sapatos de

       salto alto”

 (  )”...pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos”

 (  ) Mandou que descesse a bainha do vestido e parasse de se pintar

 (  ) `A noite, tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos

      cabelos.. 

(  ) Então trouxe um batom. No outro dia um corte de seda”



3.3.. O texto : “ Para que ninguém a quisesse” é narrado em

(  ) 1.ª pessoa, com o narrador participando da história

(  ) 3.ª pessoa com o narrador  onisciente.



3..4.No mesmo texto, em relação ao tempo, é correto afirmar:

   (  ) é marcado cronologicamente o tempo em que os fatos ocorreram

   (  ) é sugerido pelo pretérito e  pela evolução dos acontecimentos



3.5. O  texto demonstra que::

(  ) no casamento a mulher deve aceitar tudo,  precisa ser submissa ao homem

(  ) o  ciúme do personagem era  uma prova de amor entre o casal e não de posse

(  ) a mulher foi tão oprimida por ele e , no final, ficou semelhante  a um objeto,

      perdeu o gosto  de ser gente



3.6.. O fato de o homem e a mulher não terem nomes significa:

(  ) a autora  não conhecer os personagens

(  ) a autora querer  universalizar, tornar semelhante estes personagens a quaisquer outras pessoas



3.7. O texto demonstra que :

(  ) o homem tomou as atitudes que tomou, movido pelo carinho e respeito

(  ) o homem tomou as atitudes que tomou porque considerava-se seu único dono.



3.8. Assinale o fato  que NÃO revela a prática de  ato de opressão:

(  ) Mandou que descesse a bainha do vestido e parasse de se pintar

(  )Exigiu que eliminasse os decotes e jogasse fora os sapatos de salto alto

(  )Pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos

(  ) `A noite, tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos

      cabelos.. 



3.9. “ Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e sombras.” Significa que:

 : (  ) as alterações da mulher acarretaram mudanças  apenas  no plano  

        físico

   (  ) as alterações da mulher ocorreram no  plano físico e psicológico



3.10.. “ Porque os homens olhavam demais para a sua mulher..., indica a idéia de

(  ) condição                       (  ) causa                                (  ) finalidade



3.11. “ Esquiva como um gato, não mais atravessava praças” significa que a mulher:

(  ) se transformou para ele  num gato, andando pela casa

(  ) que ficou subjugada a ele  como um bicho doméstico







4.. MOMENTO DE AMPLIAR O REPERTÓRIO CULTURAL
      Resenha  da obra Mentes Perigosas : o psicopata mora ao lado de autoria de Ana Beatriz Barbosa Silva.

              Este livro discorre sobre pessoas frias, insensíveis, manipuladoras, transgressoras das regras sociais , impiedosas, imorais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão, culpa ou remorso  que no começo aparentam serem as melhores pessoas do mundo, usando o “ jogo da pena” , levando você a ter sentimento de generosidade e piedade.  “A generosidade e a piedade colocam as pessoas boas sob o jugo destas pessoas”..

                  Sem você se  dar  conta,   acaba  fazendo com que essa pessoa entre em sua vida  e só indo perceber o erro muito tarde, quando você já estiver  exausto, adoecido, de carteira vazia, coração destroçado e, nos piores casos, com a  vida perdida.

                  Apesar de todo o estrago, você, que é a vítima, ainda irá se perguntar será  que o erro foi meu? Onde foi que eu errei , ela era uma pessoa tão boa, tão fascinante. E dirá: meu Deus, a culpa disso tudo é minha!.

                  A autora afirma no livro que todos tem   dificuldade  em acreditar que foram  vítimas , porque não acreditam no  que aconteceu! .

                    Esta perplexidade vem do fato de estas pessoas não perceberem já que estiveram sob o jogo da manipulação carinhosa mas que escondem um pensamento frio, vampiresco,  sempre a querer mais. Não perdem a oportunidade de se fazerem  de vítima.

                 Mesmo quando claramente você estiver com a razão, pegarão uma palavra descuidada sua, um errinho seu e inverterão   tudo contra você..

                 Isto porque são experts em detectar e explorar a sua  ferida e no que você é  vulnerável.No começo tocam na sua  “ferida” sob a forma de conselhos; depois,  sob a forma de crítica construtiva, até findar em crueldade dita em público.

                 A autora orienta que o importante é o seguinte: não aceitar que seja transferida a culpa para você, que é para se ter a  plena convicção que a vítima é você.

 .                A autora identifica outro  traço característico nelas:    demonstram  uma notável falta de interesse por uma educação direcionada a uma carreira, a  qualificação específicas. Julgam possuírem habilidades diversas e excepcionais que permitirão que elas se tornem o quiserem ser na vida ( só que, enquanto isso vão vivendo de você). Sempre pensam grande e costumam arriscar alto, mas toda vez que isso acontece, pode ter certeza que o dinheiro arriscado é de outra pessoa.

                   No transcorrer do livro, a título de nova orientação, a autora diz que  a maioria de nós precisa aprender uma importante e decepcionante lição de vida: mesmo que o nosso amor seja o maior possível; mesmo que a nossa intenção de ajudar sejam as melhores, sempre nós é que sairemos perdendo e feridos.                                 “ É muito importante que você não esqueça o seguinte: nunca aceite que ele culpe você pelas  atitudes delas. Tenha a plena convicção que a vítima é você e não ela. Elas são habilidosos  em inverter os papéis  e fingem sofrer. Passam por vítima com a maior facilidade.”

“(...) Estes seres  charmosos e  atraentes  deixam um rastro de perdas e destruição por onde passam, tanto no convívio familiar, afetivo, profissional, social e financeiro..(..)”

                   Outra orientação dada pela autora é adquirir forma de defesa  “Por isso um forma de defesa de quem está sob o jugo destas pessoas é passar a entender a si mesmo, saber identificar seus pontos fracos e os momentos de manipulação”.

                 Já ao final do livro, no capítulo 12, “ Manual de Sobrevivência “ no item 1  é apresentada a primeira regra:  você deve  aceitar o fato de que este tipo de pessoas frias e dissimuladas existem e que até especialistas ( psiquiatras, psicólogos) podem ser enganados por elas; no item 2, afirma que as aparências enganam: elas têm sorriso cativante, olhar atraente, voz suave, traquejo verbal e habilidade extrema para encobrir as verdadeiras intenções. Aconselha a ver quando elas deixam escapar o olhar frio que têm ; aconselha a você  desviar os olhos( andar, fazer outra coisa) no momento em que estiver” sob o ataque” , recebendo o  olhar teatral na sua frente, em direção a você .

                             Continuando , no item 3 aconselha: “Não se esqueça de seguir a voz da sua intuição”, proteja o seu organismo, evitando perigos invisíveis, através de pedidos inocentes; no item 4, aconselha a abrir os olhos em relação a alguma pessoa que tem “ tudo de bom”; para não cair no golpe da pessoa perfeita que fica horas ouvindo seus problemas” porque este agradar é uma forma de deixar você cego, seduzido e encobrir suas verdadeiras intenções que é manipular você, controlar você.

                         No livro, a autora não mostra saídas de convivência. Diz para  procurar  se afastar, procurar   ignorar  os pedidos de chances que serão teatralmente  implorados ( se não  forem colocados sob sua culpa) e apelados  em nome dos velhos tempos  e  de que  você lhes  deve isto, porque elas fizeram  aquilo. 

                 Como psiquiatra, a autora  afirma para nós ficarmos  com a consciência  limpa e tranqüila; porque não estamos  ferindo os sentimentos de ninguém., pois estas pessoas  não se importam se são magoados ou não,  por uma razão muito simples: elas não tem sentimentos verdadeiros  para serem feridos,. Se demonstrarem tristeza, é puro teatro Se choram, não é porque estão sofrendo de fato, de estarem  frustradas, porque não conseguiram o que queriam

                   Diz que devemos aprender uma importante lição de vida: não tente mudar o que não pode ser mudado.

                   Recomenda, no final, aos devastados, para procurarem ajuda profissional  a fim de  recuperarem a dignidade, a consciência de amar a própria vida
                                                   
Nesse ponto, talvez fosse melhor, nós, leitores, retomarmos à introdução do livro e ler a seguinte fábula , lá posta:
“ O escorpião aproximou-se do sapo que estava à beira do rio. Como não sabia nadar, pediu uma carona para chegar à outra margem.
Desconfiado o sapo respondeu: “ora, escorpião, só se eu fosse tolo demais! Você é traiçoeiro, vai me picar, soltar o seu veeneno e eu morrer.
Mesmo assim, o escorpião insistiu, com o argumento lógico de que se picasse o sapo antes, ambos morreriam. Com promessas de que poderia ficar tranqüilo, o sapo cedeu, acomodou o escorpião em suas costas e começou a nadar.
Ao fim da travessia, o escorpião cravou o seu ferrão mortal no sapo e saltou ileso em terra firma.
Atingido pelo veneno e já começando a afundar, o sapo desesperado quis saber o porque de tamanha crueldade. E o escorpião respondeu friamente:
-Porque essa é a minha natureza.”

                                                                 Apud:  SILVA , Ana Beatriz  Barbosa. Mentes Perigosas: o psicopata mora ao lado. Rio de Janeiro. Objetiva, 2008



5. MOMENTO DA EXPRESSÃO ORAL

5.1. O que você teria a dizer sobre o modo de agir do Homem , no Conto? Que tipo de pessoa ele é?  Que tipo de relação ele tem com a Mulher?  É saudável este tipo de relação?   Exponha  algum caso parecido?.



6. MOMENTO DA ATIVIDADE ESCRITA

 Reescrever um conto mudando o personagem: agora uma mulher fazendo o papel da manipuladora, da  opressora

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Núcleo Programático



  A PALAVRA



    Noções teóricas básicas.
    1. Introdução
A palavra contém dois elementos: o significante e o significado. A palavra é o signo mais importante usado pelo homem para se comunicar, embora usemos vários outros signos como sinais, gestos, cores, sons,....

Ex. SIGNIFICANTE                    SIGNIFICADO
     C                                          Crânio........O acidente quebrou sua cabeça
        A                                       memória.....Não me sai da cabeça o seu nome
             B                                  de cor..........Disse de cabeça todo o discurso
                 E                               chefe.......... Ele é o cabeça da classe
                    Ç                            ponta..........Ele machucou a cabeça do dedo
                       A
             
1.1.Cabeça: sentido denotativo:............. sentido  original, usual= crânio
1.2.Cabeça: sentido conotativo: com significado novo= memória, de cor, chefe, ponta;  
      O sentido conotativo vem a ser o sentido criado pelo contexto, pelo referente, que é  a   relação motivada no   próprio  texto ou pela intertextualidade. 
      Assim: cabeça -tem o sentido literal(próprio) que é o uso comum da palavra  e                     tem o sentido conotativo, quando o significado original é ampliado ou                       alterado  em razão do contexto, das possibilidades do campo semântico                          subjacentes a ela, e da  situação comunicativa..
     A intenção e a situação  comunicativa é que determinam se a palavra vai ser usada no sentido literal, normal, ou no sentido conotativo(contexto)
1.3.A palavra tem, também, sentido  polissêmico e sentido  figurado, metafórico.
O sentido polissêmico é diferente da associação figurativa, metafórica.
       1.3.1.Sentido polissêmico é quando  a palavra já incorporou normalmente  os sentidos diferentes;  a relação de uso é que determina “automaticamente” o sentido.
. Ex. ponto a)sinal gráfico( Ele fez o ponto no final da frase);
                  b) costura(Ela deu um ponto na barra da calça; Levou dois pontos na cabeça)
                  c) lugar de pegar ônibus( Que ônibus para neste ponto?).
        1.3.2. O sentido figurado, metafórico  (contexto+ associações que aproveitam, ampliam para  outras possibilidades de sentidos) é  quando uma palavra , cujo significado é aparentemente claro, mas  num determinado contexto e determinada  associação, assume outros sentidos,  que precisam ser desvendados  pela reserva cultural de quem a lê.
                  Ex. a palavra FOGO. Num contexto, FOGO  poderá  ser associado a SOL, VERÃO, CALOR, noutro,  à VIDA. Dependendo do  contexto, alguns leitores, poderão associá-lo a AMOR,PAIXÃO,CIÚME ; outros, a GUERRA,LUTA,REVOLUÇÃO.
                   Isto significa que o sentido figurado é a exploração das potencialidades da palavra; e que esta não é automática, depende do leitor, ou seja, precisa de mediador que é aquele construirá a relação, a associação  de sentido.
                 Esses mediadores ( leitores),  farão vir  à tona o estranhamento, os sentimentos, sensações possíveis ou inusitadas que poderão se sobressair. É uma  busca do subtendido que pode ser justificado, mas nunca definido com exatidão. Há uma  palavra,  rica em  significação, com novas dimensões, que surge  abrindo  outros  caminhos possíveis, diante das  “pistas” sugeridas pelo autor consciente ou inconscientemente. Estas novas significações não são automáticas; elas requerem um leitor ativo, possuidor de bagagem cultural para  percebê-las, desvendá-las e reorganizá-las.


2.PALAVRA no texto : conhecimento  prévio para uma  aplicação prática.
      Primeiro passo   é  observar como foi feito o agrupamento das palavras no texto..    
      Depois, identificar se   há uma lógica entre as  palavras e a apresentação “ do mundo”; seja aperfeiçoando o sentido, seja ampliando  o poder expressivo do texto.
       Em resumo, como base teórica acerca das palavras ,deve-se partir do seguinte: as palavras estão constituídas em  dois agrupamentos básicos: o do nome e o do verbo.
       Fazem parte do agrupamento nominal os substantivos, os pronomes, os adjetivos e os artigos); fazem parte do agrupamento verbal , o verbo e o advérbio que a ele se refere.
1)FORMAS NOMINAIS( substantivos, adjetivo, pronome e artigo) sendo que o substantivo indica, representa , nomeia os seres.
O ADJETIVO revela as propriedades(características )dos seres ; revela os  contornos, os matizes diferentes que interferem no alcance do sentido  pretendido pelo nome , quer limitando, ampliando ou fazendo  um cruzamento com o “eu” do emissor. Ou seja,  estabelece a aproximação  do ser “ externo”, à visão do “eu” interno..
O  PRONOME   substitui o nome; pode indicar maior proximidade  ou distanciamento com o nome. O pronome também  informa o emprego  da  linguagem coloquial
 O ARTIGO  vem dar caráter de precisão, nitidez  ou , caráter de ambiguidade ao substantivo a que se refere.. 

2) FORMAS VERBAIS  indicam ações, estados ou fenômenos. Verbo é  a palavra que se conjuga no ontem, no hoje e no amanhã; estabelecendo com o sujeito uma relação ativa, passiva ou reflexiva.
2.1.O USO DO VERBO  NA VOZ ATIVA  indica que   o sujeito realiza a ação, na VOZ PASSIVA  o sujeito recebe a ação produzida por outro( ele se torna um objeto passivo); na VOZ REFLEXIVA (forma-se um círculo) o sujeito produz e recebe a ação, pois, ao mesmo tempo, é sujeito e objeto.

2.2.O MODO VERBAL  no :   indicativo(exprime fato real, certo); no subjuntivo(exprime fato possível, hipotético, dependente de outro);no imperativo(exprime ordem, proibição, pedido, convite, conselho);
Obs. FORMAS NOMINAIS DO VERBO não dão prioridade   ao sujeito, à pessoa gramatical, e são elas:   gerúndio, infinitivo, particípio.
 No PARTICÍPIO não há o dinamismo da ação e sim o reforço de fato concluído no  passado; no GERÚNDIO há  reforço da  ideia de modo, de duração de um eterno retorno, de continuidade paulatina; no INFINITIVO  impessoal há a ausência explícita do sujeito, o que se quer é apresentar o ser, o objeto, o fato de maneira estática, ao infinito.
2.3.OS TEMPOS  verbais fixam o momento, a duração  do fato, dos sentimentos em relação ao emissor.
       NO TEMPO PRESENTE   o fato ocorre simultâneo ao ato da fala ( se esta simultaneidade  for empregada para tornar mais real o fato que já ocorreu no passado ou que ocorrerá no futuro, temos o chamado PRESENTE HISTÓRICO, c.p.ex.A Branca de Neve entra e dorme na cama dos anõezinhos; Eu vou, eu preciso descansar nas férias que vêm.
         OS PRETÉRITOS, dada a sua variedade(perfeito, imperfeito,  mais-que-perfeito) apresentam possibilidades de sentidos diferentes.
 O PRETÉRITO PERFEITO ( amou) determina que  o fato já se realizou efetivamente, sendo   hoje  possível  ver  o fato finalizado  que ficou definitivamente no passado; o PRETÉRITO IMPERFEITO (amava) estabelece outra variante para o fato que não fica definitivamente no passado, pois ainda hoje se mantém vivo, ainda hoje  mantém sua trajetória pela contínua evocação impregnada  de  subjetividade e afetividade, deixando aberta as possibilidades de seu prolongamento no presente; o PRETÉRITO MAIS QUE PERFEITO ( amara) é aquele que  expressa um fato duplamente passado,  graduado cronologicamente por meio de outros passados, dando um sentido de maior distância , tornando mais remoto ainda o fato.Ex.Amara as ruínas do amor que já tinha ido embora; Era uma vez....... 

Com o FUTURO. Há um presente  em que o emissor  está , e um acontecimento que irá se realizar, com maior ou menor grau de distanciamento, envolvimento deste emissor.
Se estiver apenas, de forma neutra, se referindo  a uma ação que se realizará depois do momento atual, temos o futuro( amará); se,  ao invés, o futuro  é uma afirmação revestida de caráter de hipótese provável( se me amará, não sei), aqui já se admite a inclusão da intenção, subjetividade de quem fala. Por sua vez, se houver o  futuro( Aonde você for, amará com egoísmo)  usado sem distanciamento, com valor de imperativo, com valor de constatação, urgência, conselho, está-se diante de um verbo   vinculado a sentimento, vinculado à emoção em relação ao que virá.









3. PROPOSTA DE LEITURA DO POEMA



                         CANÇÃO
                                   Autora:  Cecília Meireles(1901-1964)

Pus o meu sonho num navio
E o navio em cima do mar;
-depois, abri o mar com as mãos,
Para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul das ondas entreabertas,
E a cor que escorre dos meus dedos
Colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
A noite se curva de frio;
Debaixo da água vai morrendo
Meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
Para fazer com que o mar cresça,
E o meu navio chegue ao fundo
E o meu sonho desapareça.

Depois tudo estará perfeito:
Praia lisa, águas ordenadas,
Meus sonhos secos como pedras
E as minhas duas mãos quebradas.
                        ( MEIRELLES, Cecília . Viagem, 1939)

No poema CANÇÃO de Cecília Meireles, há o seguinte eixo  de distribuição:
1.ª  estrofe: área do nome:  sonho, navio/  navio / mar / mar /  mãos/  sonho (destaque-se o possessivo: meu). Na área do verbo: pus; abri; naufragar
                        Nesta estrofe  a autora estabelece, por meio da primeira pessoa dos verbos e dos pronomes, que o eu-lírico está “dentro” do poema ; ele  se mostra e se posiciona de forma clara.  Ao por o “sonho no navio” , a  autora fixa o “estranhamento”,  vindo, a partir daí,  a exigência de o leitor ampliar as possibilidades de sentido, pois se está diante de linguagem figurada, metafórica..
 Então, lançando mão de sua reserva cultural, o leitor  passa a identificar as possíveis   associações  na estrofe:  o “sonho” como sendo a   vivência interior [ carregada de notas  subjetivas e afetivas]; “mãos” como  sinédoque, a parte significando  todo , ou seja, o ser, o eu-lírico  lírico   se pondo por inteiro no “ navio” que tanto pode ser um  receptáculo inanimado, quanto um receptor  em quem foram depositadas as  esperanças de viver com infinidade  como o “ mar”
Mas as “mãos”, todo o  seu ser  embarcou e remou(“abrindo o mar”)desafiando  os malogros  provocados por um velejador desafortunado(“ naufragar”)
Assim, “mãos” representa a eclusa por onde flui o “sonho” do  mundo interior para o exterior; a metáfora “navio”  representa o “ outro” , o depositário de seu sonho por inteiro ; o” mar”  , vem a ser   a perspectiva imensa ( de viver o sonho com o outro).

A partir do passo inicial percorrido, chega-se à 2.ª estrofe, onde há a reduplicação do mesmo campo semântico descrito na estrofe anterior. Entretanto, há uma transição para o microcosmo. Do “ mar”, ficam as “ondas” e a sensação de cor e umidade;   das “mãos”, ficam os “ dedos” .
“ E a cor que escorre dos meus dedos/Colore as areias desertas” identifica que ainda  perdura o esforço  aguerrido do eu-lírico em continuar, mesmo que precise  investir colorindo  as  areias desertas, desabitadas, áridas que se lhe apresentam. Mesmo diante de uma realidade restrita,  ainda existe a cor daquele mar.

Na 3.ª estrofe há o aniquilamento,  o eu-lírico fica  incapaz  de fazer frente ao” “ vento(que) vem vindo de longe” significando que de forma insidiosa, contínua  e insistente a triste realidade  foi se instaurando no seu ser e destruindo o sonho.
Instaura-se, a partir de então, “a  escuridão da noite” e “o frio”, a higidez  que  faz com que se entregue, sem qualquer resquício de “calor”, emoção, curvando-se    ao inexorável, sufocando o convívio com o outro  em quem pretendia depositar seu sonho.
Cabe ao  vento(que) vem vindo de longe” , cabe a esta força de circunstância aleatória,  que não se determina  de onde vem, pois é “de longe” , mas que existe de forma contínua, incontrolável,   agredir o seu “sonho” , até  fazê-lo ir ao fundo..
O navio depositário da   bagagem   que era seu  sonho , de sua  individualidade ,   agora vem a ser o esquife  em que  se fará o sepultamento do mesmo sonho.

Nas 4.ª e 5.ª estrofes  O eu-lírico se propõe a estancar seu sofrimento. As “águas”; o “mar” que antes eram amplos, agora vinculam-se às próprias lágrimas, ao seu íntimo. Há a supressão de toda e qualquer perspectiva de realização, logo, quer amainar o seu interior, determinando-se a asfixiar  no fundo de si qualquer emoção que pudesse vir  de outrem , bem como  soterrando todo e qualquer sonho  que possa ter sobrevivido.
                         Depois de sepultadas todas as possibilidades de viver o sonho haverá a inércia da resignação, da aparente perfeição “depois tudo estará perfeito, praia lisa, águas ordenadas” .
                        Será perfeição aparente  porque ficou mutilado com “ as duas mãos quebradas”.
                        Pode-se dizer que após soçobrado os sonhos, não há porque haver mãos.
                         Estar-se-á diante de um  indivíduo   desfigurado, reduzido em suas  potencialidades , submisso a um  “destino” ,  desarticulado de suas  legítimas aspirações.

                          A existência vivida na aridez  ( até mesmo de estímulo  para a criatividade interior)  é um sofrimento insidioso que leva à própria  autolimitação, que, embora não sendo  perceptível concretamente ,  demarca e impõe fronteiras  a qualquer tentativa de busca  de realização. E isso retira  o material constitutivo  da condição humana, que viverá desintegrado, aleijado como indivíduo, “ com as duas mãos quebradas”

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Textos


    NÚCLEO PROGRAMÁTICO
    FORMAÇÃO DE PALAVRAS



    Noções teóricas básicas.
     1. Introdução
                O idioma é como um rio: vai crescendo à medida que se afasta de sua nascente, aumentando pelos rios afluentes que vão a ele se incorporando e o tornando  cada vez mais majestoso.
                 Este processo de incorporar novos riachos no idioma  tem o nome  de neologismo.
                 Já o processo do rio fazer várias “curvas”, com sua própria água, ou seja , pegar a própria palavra e ir modificando-a, dá-se o nome processo de formação de palavra ( por derivação ou por composição).
                  Há idiomas que não são mais falados ( são as chamadas línguas mortas) , mas temos conhecimento da existência deles através de descobertas dos historiadores. Mesmo assim, ainda hoje usamos palavras e estudamos filósofos, historiadores, matemáticos,   cujos “textos” foram escritos vários séculos antes de Cristo.
                   A língua é, portanto, o instrumento de expressão e de comunicação  que utiliza da palavra. Por ser a  expressão cultural de um povo, a língua  vai além da comunicação, ela também é utilizada como expressão artística ou estética.  OBS. Ao conjunto de obras escritas com finalidade artística, dá-se o nome de literatura. Cada povo tem sua língua e cada povo tem a sua literatura onde vai expressar valores universais representativos do Homem em qualquer tempo e qualquer lugar.
       A norma padrão da língua vem a ser o uso do português usado pelos falantes urbanos de maior prestígio político, social e cultural.
                    
   A  respeito  da evolução do idioma lê-se em   Machado de Assis:
                   “ [...] Não há dúvida que as línguas se aumentam e se alteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito a influência do povo é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no domínio do estilo e ganham direito de cidade”.   ( MACHADO DE ASSIS, apud. Luft, Celso Pedro. Vestibular de português: textos e testes. Porto Alegre, Globo, 1972, p. 20)


               Então, Machado de Assis disse acima “ que as línguas aumentam e se alteram com o tempo” por causa  das “ necessidades , usos e costumes” das pessoas. Quando Machado de Assis diz: “ganham direito de cidade” , está se referindo ao fato de a palavra não ser “errada” ,  alcançar uso aceito pelo dicionário, gramática, escritores .

         2, Processo de Formação de Palavras.

       A) Em Português o mais comum é a alteração das palavras por meio  do processo da  DERIVAÇÃO :  aumento e alteração da palavra .

         A.1. Derivação por  sufixação (depois)Ex. dentista; jogador; felizmente; boiada, esperteza, realizar, bronquite;personagem;calvície; brasileiro;
                
         A. 2 Derivação por  prefixação ( antes) incapaz; infeliz; refresco, compadre;
    
         A. 3. Derivação por sufixo e prefixo ao mesmo tempo Ex. infelizmente desalmado; desgraçado deslealdade
                  Obs. No caso dos dois(pref+suf_)  vierem a  formar verbo,  o nome  será
               parassíntese. Ex.   empobrecer; desgraçar; amanhecer( manhã); entardecer(tarde); envergonhar(vergonha)


          A. 4. derivação imprópria: ´´e a mudança da classe gramatical da palavra( muito usado em poemas). A palavra não muda [p.ex. pelo artigo, pronome a pessoa identifica que se transformou em substantivo; usando a “ pista do “tão” a pessoa identifica que se transformou em adjetivo (Ex. velho é adjetivo; mas ao dizer o velho, temos substantivo;  Este homem cavalo agrediu sua esposa )..
             


       B)Outra forma de  alteração da palavra  é  por meio  da COMPOSIÇÃO , quando duas palavras se associam para criarem uma terceira. E podem ser de 2 modos:
B.1. Justaposição. Ex. beija + flor ................        beija-flor; contratempo; antevéspera; malmequer; sempre-viva; passatempo surdo-mudo; bem-te-vi;

B.2. Aglutinação: ao se juntarem, alguma letrinha é tirada.Ex. cabisbaixa( cabeça + baixa); petróleo ( petra+óleo); aguardente( água+ardente);embora(em+boa+hora);fidalgo( filho+de+algo); pernalta(perna+alta)


C) OUTROS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DA PALAVRA
                   C  1.. ONOMATOPEIA : quando a palavra é formada por meio
                            da  reprodução dos sons  e ruídos produzidos por vozes
                            de animais,  ruídos de objetos, instrumentos, etc. Ex.
                            cacarejar; banguê-bangue;   plim plim; blá,blá,blá.

C.2.REDUÇÃO: Existem também palavras que apresentam, ao lado a   forma plena, a forma reduzida. Ex. automóvel: auto; fotografia: foto;  senhor seu; José: Zé; motocicleta: moto

  C.3. NEOLOGISMO          É o “nascimento” de nova palavra em decorrência do desenvolvimento,  de  novas invenções .
Pode haver neologismo por:
a)      empréstimo quando são aportuguesadas Ex :gol, pênalti,futebol.
b)      b) por estrangeirismo: quando usado sem aportuguesar, na escrita original e que , com o uso freqüente , são incorporados a  nossa língua e até fazem parte do dicionário.  No novo dicionário Aurélio já estão vocábulos estrangeiros  incorporados como p.ex. : bullyng, pet shop, pen drive




3. Exemplos de alguns empréstimos( ou seja, já foram
                     aportuguesados):
- do latim:etc.( et caetera = entre outras coisas); habeas corpus( traga/mostre o corpo); apud( em, junto a/ em citações indiretas), curriculum vitae(caminho da vida), homo sapiens( homem sábio), in memoriam ( em memória), in extremis (na hora da morte), ipisis literis ( palavras exatas) quorum ( número mínimo de presentes) vide( veja)
- da língua árabe:Açude; aduana(alfândega); alambique; álcool; álgebra;algodão;alicate; alicerce; andaime; anil; arruda; açúcar
-língua hebraica: aleluia; amém; belzebu; hosana; maná; Abraão; Gabriel; Isac; Jacó; Jesus; João; José; Judas; Maria; Marta; Messias; Miguel; Moisés; Raquel; Rute; Salomão; Sara; Saul.

-da língua espanhola: albino; baunilha; bolero; canela; castanhola; quixote;
- da língua italiana: arlequim; bússola; duela; fiasco; macarrão; quadrilha; soneto
- da língua inglesa: beque; buldogue; bife; chute; cheque; croquete; dólar; drinque; esporte; futebol; júri; jóquei; líder; pudim; recorde; repórter; ringue; ponche; trailer; túnel
-da língua alemã  ( normandos): barão; feudo; barco; barril; bordo; canivete; cofre; ganso; jardim; lata; rato; rico; Guimarães;  guerra; guardar; ganhar;
-língua indígena: abacaxi, caatinga, mandioca, caju, capivara, cipó, cupim, jabuticaba. Obs. Muitos são os nomes de pessoas ( Cauã, Caubi,Tamoio(neto), Ubirajaram, Moacir, Peri, Ubiratã;   Iara, Iraci, Irany, Jacira, Janaína, Jussara, Jurema, Moema, Tainá) e de lugares( Anhanguera,Maranhão,Paranaguá Itaú, Piracicaba, etc.)

- da língua africana:  acarajé, angu, banguela( desdentado), cachaça, cachimbo, cacimba, camundongo, dengo, dendê, fubá, inhame, jiló, marimbondo, mandinga, mocambo, moleque, quiabo, quitute, samba., senzala, tatu, vatapá.



4. VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS : USO DA PALAVRA   
     (formalidade , informalidade)
     A língua portuguesa não é empregada da mesma maneira pelos falantes.
    A mesma pessoa pode empregá-la de maneira diferente, dependendo da situação em que se encontra.
  Ocorre, portanto:
a)  variação  situacional, vinculando o uso e o significado da palavra à situação em que é usadao  ( esta,  que pode estar no próprio texto, ou fora dele);
 b) variações vinculadas ao grupo social , escolaridade e  região.
           Grupo social, escolaridade, região vem a ser:  vocábulos usados em situação formal,palavras usadas por determinado grupo social;  palavras rigorosamente  obedientes à gramática; vocábulos de uso só de determinada região
     
         As  variações serão justificáveis dependendo do contexto de seu uso.
          A gíria, p. ex.  tem como contexto “ justificável” a  espontaneidade, expressividade, o menor  rigor gramatical face à ambientação do texto e personagens.
         Obs. Há autores que fazem diferença entre gíria e bordão( dão como exemplo falas de atores, c. p. ex. ô da poltrona), mas a maioria  opta por tratar sob a denominação gíria apenas.
 A gíria nasce “ no povo” , ex. “ tipo assim”; “ irado”; “mano”; “ já é” , etc.
Exemplos de gírias que mudaram com o tempo:
antes=  ele é um pão;............... agora : ele é da hora, legal;
antes: sonhar alto; ..................agora: viajar na maionese

5. Alguns Exemplos de gírias
 a) gírias de preso:
tumba = espaço sob a cama; quieto= cortina; praia= chão de cimento;fazer uma fita= assaltar;passar um pano=acorbetar alguém; berro= revolver; justa/tira/meganha/cana dura/Kojak= policial; vagulino/vagaba= ladrão de 5.ª; pintou sujeira= flagrante; presunto= defunto; cabrito = carro roubado/ sem documento; muamba= produto ilegal; dedo-duro/ língua de sabão= delator; sinal vermelho= delator na área; tubarão= ladrão de gravata
b) gírias de jovens:
cabuloso=estranho; casca grossa= bom em situação difícil/ ignorante; fazer pr4essão/ forçar a barra = aborrece4r o outro; merreca= coisa péssima; me quebrei= me dei mal; point= lugar interessante; anima= jóia, muito bom; azaração= paquera; BV= boca virgem; Best friends= melhor amiga; irado= muito bom; zoar= fazer bagunça, brincadeira; busão; comer pela beirada= chegar de mansinho; abotoou o paletó/ bateu a caçuleta= morreu;
gíria de futebol:bateu o cachimbo= morreu por overdose; vuco-vuco= bagunça; mina= menina, namorada.
c) gírias de futebol
Maria chuteira; pro chuveiro; onde a coruja faz o ninho; tá no filó; perna de pau; frangueiro; dividida

6. Alguns exemplos de jargão
Jargão:vem a ser expressão própria de determinada profissão
a) jargão de médico:  cefaléia, terapia, diagnóstico, prognóstico,anaminese, luxação, rotura, conduta,prontuário, evoluir paciente, endovenoso;
b) jargão de advogado: peticionar, “data vênia”, outorgar, requerente , entrar com ação, termo “a quo” ; dies ad quem” , fazer carga no processo, fazer diligência, in verbis, in terminis, lato sensu, statu quo, a contrario sensu, a posteriori
c)jargão de  professores: avaliação contínua; contextualização,pressupostos metodológicos, conteúdos disciplinares;
d) jargão de jornalista- os jornalistas: free- lance, foca, lied, manchete, paparazzi
e)jargão de economista: produto interno bruto, balança comercial, comodities, per capita, classe econômica, índice de IDHL
    
7. PARA PRATICAR TEORIA
Exercício:
Assinale a alternativa correta:
(  ) As línguas são estáticas no tempo, não mudam em relação à situação de comunicação e os falantes;
(  ) A variação é inerente às línguas, pois ela se modifica com o tempo, conforme os falantes e conforme a situação de comunicação;

Em  circunstância  de um texto direcionada a jovem, que se refere à  afetividade entre jovens, sendo o receptor  também  jovem  , haverá a presença de :
(  ) gíria                                           (  ) jargão
No bate-papo com amigo, com os pais, com o professor:
(  ) o falante tem maior liberdade de expressão; emprega a linguagem de forma espontânea , funcional
(  ) o falante usa da língua  com mais formalidade, preocupado com o texto,  observando estritamente as normas gramaticais


4.. Relacione corretamente as duas colunas:
   (a)  bafo + metro= bafômetro         (    )composição por aglutinação
   (b) tomou um refri                           (    )derivação por sufixação
    (c)ilegal                                            (    ) composição por justaposição
   (d) legalmente                                   (    ) forma reduzida
    e)cabisbaixa                                     (     )derivação por prefixação

forme palavras por derivação prefixal: normal............................;
feliz....................................; graça.........................................


  6. Forme palavras por derivação sufixal: leite...............................; café................................; inseto.......................................;
 Dente.........................................; pobre...............................................

   7. Faça a redução das palavras seguintes: ônibus:..................;
Joaquim....................; pneumático........................; quilograma......

8. Assinale a alternativa que apresenta a variedade lingüística denominada jargão:
(   ) Galera, o goleiro engoliu o maior frango!
(  ) O carro capotô e num deu prá nóis vê direito
(  ) “Data vênia” Meritíssimo, o “ de cujo” buscou a morte.

9. A norma padrão da língua  se pauta pela correção gramatical. O prefeito da cidade falaria usando qual alternativa correta?
(   ) Diante da gravidade da situação hão necessidade dagente aumentar o número de leitos no Hospital Ouro Verde.
(   )Diante da situação preta há necessidade de menas impunidade e mais camas no Hospital Ouro Verde
(  ) Diante da gravidade da situação, há necessidade de se aumentar o número leitos e atendimento no Hospital Ouro Verde.


 8. PARA PRATICAR NO TEXTO

 TEXTO 01


MENINAS, DEIXEM O CARA EM OFF
                                          

Você foi deixada prá traz?
Ele aprontou muitas? Vacila com você toda hora e não tá nem aí?
Você viu que não adianta dar mais chance?
Ele não merece as mil lágrimas que você já derramou?
Então, mãos à obra, trate de deletar   o cara da sua vida, do seu coração.
      Primeiro passo: pare de segui-lo pelo Twitter, delete-o do Facebook  e do    Orkut.
      Deixe de  escutar  as músicas que vocês curtiam juntos.
      No colégio, durante as aulas segure os pensamentos, nada de sonhar com ele .
      Se uma amiga vier trazer notícias dele, resista. Não deixe a conversa render. 
      Diga  que deseja tudo de bom pra ele, mas que agora  não está pensando nele.
      Doeu, foi  difícil? É difícil mesmo!
      Você precisa  tanto de uma amiga para desabafar! Será que é ela?  Segure a
      onda.      Assim como ela trouxe recado dele, vai  bater pra ele como você
      reagiu. Não dê   bandeira!
     Ufa!  Com muita força, você está quase lá....
     Mas agora vem o segundo “round”.
     Vai bater a neura nele. Ah! Ela gosta de mim e eu sou o tal! Vou tirar a prova.
     Assim, agora,  para se autoafirmar, ele vai   tentar se reaproximar de você.....
     Pode ser no intervalo da aula ,pode ser via  MSN,......
     O que fazer?
     Seja educada , invente um compromisso, uma desculpa e “vaze”.
     Pensa que será fácil?
    Que nada, será muito difícil, mas com o tempo vai ficando mais fácil e você se
    sentirá   cada vez mais forte longe de um cara que só a deixava “ pra baixo” ,
    lembra?
    Nada de ficar dizendo: é, mas um dia ele fez isso de bom, aquilo, aquilo outro.
     Não se iluda! Seja realista.
     Não tenha medo de “dar um tempo” mesmo que fique sozinha e as outras
     colegas tenham namorado.
     É comum muita gente ficar namorando SAPO  só para ter com quem sair e
     ninguém  dizer que  está “encalhada”.
     Não se incomode e nem se acomode ! Saia , faça uma galera só sua e parta para  
     conhecer um monte de gente nova!
      A maior vingança é ser feliz!

 Responder:
1.      Quando no texto afirma: “ muita gente fica namorando sapo”, esta imagem é uma marca de intertextualidade com o que?
(  ) história de livros de ciências
             (   ) história de livros infantis
            
2. Nestas histórias, o sapo, depois, vira ........................................, mas na vida real não é assim, ele continuará sapo.

3.A maior vingança é ser feliz, significa
(    )a busca da felicidade é uma tarefa que independe da própria pessoa.
(   ) ninguém deve deixar a sua felicidade estar na mão do outro
(   ) A vingança dele é me ver infeliz


 4.No texto acima , há marcas lingüísticas que indicam o modo de falar dentro de uma variação situacional(contexto,  idade, escolaridade, grupo social) DE QUEM?

(  ) de pessoa que se expressa  num ambiente formal
(  ) de pessoa que se expressa  num ambiente informal

5.”Ele não merece as mil lágrimas que você já derramou”é uma expressão em que  há  o predomínio:
(  ) do sentido conotativo
(  ) do  sentido denotativo    
     
6.“ Deixe o cara em off” houve:
   (  ) derivação prefixal       (  ) derivação sufixal      (  ) neologismo/ estrangeirismo

 7.“Trate de deletar” é o caso de neologismo que foi por:
(   ) estrangeirismo.                   (   ) empréstimo

.8..Pare de segui-lo pelo twitter, facebook e orkut é o caso de neologismo assimilado por :
      (   ) estrangeirismo                     (  ) empréstimo

 9.Assinale as alternativas que NÃO  tem  vocábulos que identificam o grupo social jovem
    (   ) Segure a onda
    (   )Não deixe a conversa render
    (   )Não dê bandeira
    (   )Não tenha medo de dar um tempo
(   ) Não se incomode e nem se acomode.
      8..PARA PRATICAR NO TEXTO( cont.)


            Texto 0 2.

DOIS HOMENS TRAMANDO UM ASSALTO

   Luís Fernando Veríssimo . (in: O Est. de São Paulo, 8/3/1998)





                             -Valeu, mermão. Tu traz o berro e nóis vamo rende o caixa bonitinho. Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra arejá.
                              -Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá.
                               -Tá com o berro aí?
                               -Tá na mão.
                               Aparece um guarda.
                                -Ih, sujou. Disfarça, disfarça...
                               Enquanto o  guarda passa por eles...
                                 -Discordo terminantemente . O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Fuerbach.
                                  -Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século 18...
                                   Assim que o  guarda se afasta....
                                    -O berro, tá recheado?
                                    -Tá.
                                     -Então vamiá !                    
               
em relação à linguagem, podemos dizer que este texto:
(   ) apresenta variantes distintas do português: uma culta e outra formal.
(   ) tem erros de português porque os ladrões não sabem escrever
(   ) mostra o contraste entre o modo de falar do narrador –personagem e os ladrões
(   ) faz um contraste entre a fala dos filósofos e dos personagens
(   ) apresenta as variantes lingüísticas do português: uma culta e outra coloquial

Este é um texto que tem como objetivo principal:
(   ) levar o leitor a perceber as diferenças de usos da linguagem
(   ) levar o leitor a divertir-se com a história contada
(   ) convencer o leitor que os ladrões são sempre espertos
      (   )não permitir ao leitor comparar os diferentes usos da linguagem
(   ) discutir alguns conceitos filosóficos
No trecho: “ Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rende o caixa bonitinho. Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra areja” existem vários erros de ortografia  em relação às normas da linguagem  formal. Contudo, tais erros podem ser justificados , se levarmos em conta que:
(   ) os erros aqui presentes contribuem para caracterizar o ladrão
(   ) os erros se devem ao fato de o ladrão estar falando e não escrevendo
(   ) os erros não foram percebidos pelo escritor
(   ) porque assim o texto fica mais brasileiro

4. O texto abaixo se encontra fora de ordem. Estabeleça a seqüência lógica., conforme a ordem lida:
(   ) Aparece um guarda.  O guarda se afasta. O guarda passa por eles. Servicinho manero
(   ) O guarda se afasta. Servicinho manero. Aparece o guarda . O guarda passa por eles
(   ) Servicinho manero. Aparece o guarda . O guarda passa por eles. O guarda se afasta

(   ) Aparece o guarda. Servicinho manero. O guarda passa por eles. O guarda se afasta.